sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Mesmo sem sintomas, portadores do vírus da herpes podem contaminar parceiros sexuais



Mesmo sem sintomas, portadores do vírus da herpes podem contaminar parceiros sexuais

Por Bruno Calzavara

Pessoas que carregam o vírus do herpes genital, mas não apresentam nenhum sintoma visível – mesmo que nem estejam cientes de que estão infectadas – ainda têm cerca de 10% de chances de transmitir o vírus adiante. Foi o resultado a que chegou um novo estudo publicado na revista da Associação Médica Americana.

Estima-se que 16% dos adultos dos EUA estão infectadas com o vírus herpes simplex tipo 2 (HSV-2), que pode causar inchaços, bolhas ou feridas na região genital e áreas adjacentes, junto com dor e coceira.





No entanto, apenas cerca de 10% a 25% dessas pessoas efetivamente sabem que são portadoras do vírus. Enquanto algumas pessoas infectadas têm surtos frequentes, a maioria apresenta sintomas e outros têm apenas uma ou duas crises eventuais.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que pessoas infectadas com o HSV-2 podem transmitir o vírus para outra pessoa através do contato genital mesmo se eles não sofrem dos sintomas. O novo estudo – o maior desse tipo até o momento – ajuda a quantificar esse risco, segundo  Christine Johnston, uma das autoras do estudo e professora de Medicina na Universidade de Washington, em Seattle, Estados Unidos.

“Muitas vezes as pessoas são diagnosticadas com HSV-2 através de um teste de anticorpos, mas não sabem o que fazer com essa informação”, relata Johnston. “Agora nós temos um número que podemos passar para as pessoas”.

O estudo incluiu 498 adultos com sistema imunológico saudável ​​que tinham recebido diagnóstico de herpes genital ou que testaram positivo para o HSV-2. Diariamente, durante pelo menos 30 dias, os participantes se auto inspecionaram em busca dos sintomas e coletaram amostras de secreções genitais, que foram armazenadas e, posteriormente, analisadas em laboratório.

As 410 pessoas com histórico de sintomas de herpes apresentaram “derramamento” do vírus em 20% dos dias em que houve coleta, contra 10% dos dias para aqueles que nunca tiveram sintomas.

As pessoas sem sintomas lançaram a mesma quantidade de vírus quando houve liberação se comparadas às pessoas sintomáticas quando elas não estavam enfrentando um surto. A quantidade de vírus aumenta, porém, os sintomas estão presentes.

O valor de 10% é uma média, nota Johnston, algumas pessoas vão liberar o vírus com mais frequência, enquanto outras, com menos. “Além disso, as pessoas vão interpretar esses 10% de risco de maneiras muito diferentes “, acrescenta. “Para alguns, 10% de chance de contaminação é muito. Para outros, é demais”.





“O estudo ressalta a importância de praticar sexo seguro e conhecer bem o seu parceiro sexual”, diz Richard Whitley, ex-presidente da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas e professor de medicina na Universidade do Alabama, EUA. Whitley é um dos maiores especialistas em herpes, mas não esteve envolvido no estudo atual.

Todos devem saber se portam o vírus HSV-2, alerta Whitley. Além do risco de inadvertidamente infectar parceiros sexuais, as mulheres grávidas sem sintomas podem transmitir o vírus para seus bebês. Dentre as possíveis consequências, está a morte do recém-nascido. O risco da transmissão continua elevado (entre 30% e 50%) se a mãe for infectada durante os últimos meses de gravidez.

Além disso, a infecção pelo HSV-2 pode causar complicações em pessoas com sistema imunológico debilitado devido a doenças crônicas, além de pode aumentar a probabilidade de uma pessoa de contrair HIV, informa Whitley.

Evitar a contaminação, porém, é fácil – nada de diferente do que aprendemos quando adolescentes no colégio. As pessoas com HSV-2 podem proteger os seus parceiros de contrair o vírus usando preservativo masculino ou feminino durante o sexo, ou tomando medicamentos que suprimem o vírus. Cada medida reduz o risco de transmitir o vírus a um parceiro sexual pela metade.


Fonte: HypeScience



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